quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ataques e Defesas



O mais estranho de passar 60 dias sem escrever, sem alimentar meu vício expositivo de pensamentos  lucubriantes,  é pensar em excesso neles. Várias coisas aconteceram nesses dois meses,  outro corte de cabelo está incluso nesse meio. Me peguei numa crise criativa onde só funciono nas madrugadas de insônia e como precisava dormir para cumprir compromissos que se tornaram objetivos, o blog acabou ficando entregue às moscas.
Nesse período pós greve das Instituições Federais de Ensino Superior me vejo sem meu tão querido e amado período de ócio, logo minha estadia em frente do laptop vai se tornar um pouco rara. Juro que tento criar uma rotina de escrever todas as semanas, mas só consigo tempo livre para escrever a cada 15 dias. E talvez essa seja a maior das minhas frustrações.
O excesso de expectativas sempre foi meu ponto fraco, sempre faço exercícios de auto-controle e conhecimento para não alimentar tanto esse tipo de impulsividade, porque para mim o pior sentimento que existe é o de falhar em algo que desejei muito. É uma busca constante de racionalidade dentro de um ser altamente emocional, Eu.
Nunca consegui fazer uma retrospectiva dos acontecimentos do meu ano sem olhar chorosa para eles, não sou boa com isso. Mas esse ano posso dizer as mudanças na minha vida foram tão loucas, impulsivas e não planejadas que me fazem olhar pra trás, gargalhar e pensar que definitivamente minha vida foi baseada num Mangá. Babado, correria e confusão são palavras que caracterizam bem minha retrospectiva para 2012.
Daí vocês devem tá achando que eu sou excêntrica por estar pensando em retrospectivas já na primeira quinzena de dezembro, mas apesar de (posarem de) céticos os historiadores não são tão descrentes assim e como eu faço parte do time que tá pouco ligando se o mundo vai acabar dia 21/12/12 preferi me antecipar/prevenir e deixar minhas considerações finais para esse ano excêntrico. (risos)
Não estar ligando pro (suposto) fim do mundo é a ponta do iceberg pra quem não tá ligando pra muita coisa. Uma fase de egoísmo saudável para quem sempre se importou muito com a opinião de terceiros e sempre colocava a sociedade inteira na frente das suas necessidades/desejos. O egoísmo é uma característica humana de defesa altamente necessária, mas quando utilizado de modo errado se torna uma falha de caráter e algo capaz de destruir toda a construção social ao redor do individuo.
Não pensem que por estar serelepe e saltitante nas terras do egoísmo eu concorde que ele seja justificativa para atos errôneos de plena sobriedade e consciência  Meu egoísmo é um crescimento pessoal de me doar menos e me preservar mais, mas tem muita gente que manipula/brinca com os sentimentos alheios e acha bonito ser assim.
Estava com saudades disso aqui, lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

- (auto)Sabotagem


Há pouco tempo participei de um evento de programação para garotas (Rails Girls) onde os coachs em sua maioria eram ‘garotos’. No primeiro dia do evento foram feitas as instalações dos programas que seriam utilizados e o motivo pelo qual seria um evento destinado a garotas (fotos aqui).
Como eu sempre falo, minhas mãe é a culpada (ou não) por esse excesso de características na minha personalidade e vocês devem estar se perguntando o que eu, uma aluna de História, estaria fazendo em um evento de T.I.. Ela trabalha em uma empresa de tecnologia, ganhei meu primeiro desktop aos 7 anos e aos 11 anos achava divertido brincar no comando e invadir o pc alheio, até hoje não sei o motivo pelo qual decidi prestar meu primeiro vestibular para medicina, o segundo para jornalismo e como pegadinha do destino estou cursando História.
Inserindo o termo ‘tecnopata’ (um fofo e amante de tecnologia, risos) na minha personalidade, que justifica bem a razão de aprender programar ruby, parei para pensar sobre técnicas de condicionamento da mente animal. A psicologia é a boa e velha ferramente que usamos para programar o mundo a nossa volta, para tudo enviamos um estímulo e recebemos uma resposta (behaviorismo). Facilitando a vida de vocês, é algo similar a 3ª lei de Newton.
Acontecimentos (não tão) recentes de “entra em greve” e “sai da greve” desorganizaram meus planos de estudos/postagem/vida e nesse período de 4 meses eu tive a oportunidade de aprender um pouco sobre Filosofia da Arte, em que meu principal interesse é na ideia de corpo que se tem dentro de uma sociedade.
Presa entre realismos, relativismos e ativismos caminho na direção em que mente e corpo podem e devem trabalhar em conjunto. Deixe-me explicar melhor; desconstruindo a ideia de que uma pessoa só pode ser inteligente se ela possuir um corpo fora dos padrões de beleza e se não usar roupas (dita) moda, nós quebramos um conceito de condicionamento social e passamos a admitir que o corpo pode possuir características padrões mesmo se a pessoa for (considerada) intelectual.
Sendo assim, é normal que eu expresse meu desejo de ter pernas de “panicat” (sendo modesta, haha), o problema é só programar meu cérebro para que ele entenda que estou pagando uma mensalidade na academia para ir apenas nas segundas.
Como não é fácil uma (auto)programação, sempre vai existir espaço para a (auto)sabotagem. É exatamente aqui que você (no caso, eu) precisa jogar aquele spray de água (condicionamento animal) ou choquinho elétrico em você mesmo. É colocar a mão na consciência e pensar nas vantagens que você terá ao parar de se sabotar, no meu caso vou deixar de ter pernas de gelatina para ter pernas de panicat.

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

-Saúde, morena!



Todo mundo acha que estou sendo irônica quando digo que sou tímida. Sério, eu sou tímida! Não para falar com as pessoas ou me enturmar em um ambiente novo, mas quando eu recebo elogios eu fico para morrer de tanta vergonha. Agora imaginem alguém que era invisível na sociedade e em um estalar de dedos passou a ter visibilidade, piora em 100% minha timidez.
Todo gordo tem medo de balança e academia, dois monstros de armário que precisamos enfrentar um dia. No meu caso toda vez que vou fazer as revisões médicas e agora todos os dias na academia (mais um projetinho para o verão, como o do ano passado). Eu gosto de me exercitar, só não gosto dos frequentadores da academia e olha, super difícil superar meu bloqueio de “não gostar”, pois não gosto de muitas coisas e mesmo assim me proponho a experimentar antes de arriscar um simples e direto “não gosto”.
Pode parecer bizarro, mas adoro ‘treinar’ (gíria de marombeiro, que eu ando tentando me acostumar) de manhã cedinho, com os idosos e as donas de casa. Indo nesse horário eu evito o meu constrangimento por ter algum individuo inconveniente olhando pra minha bunda e meu abuso por ter alguma criatura com deficiência do hormônio de crescimento que faz questão de passar na minha cara o quanto o metabolismo dela é aprendiz do Flash® e não do Snorlax como o meu. (risos)
Mas o pior de tudo isso é não saber levar uma cantada. Outro dia tava voltando da academia e aqui perto de casa tem um depósito de água e gás onde preciso passar na frente para entrar no prédio e do nada um carregador passa na bicicleta e grita “-QUE SAÚDE, MORENA!”, juro que olhei pra trás pra ver se vinha mais alguém às 7h30 da manhã caminhando meio bamba por causa dos exercícios (risos). E o fato desse entregador de água ter me ‘elogiado’ dessa forma confirmou os olhares incomuns que ando recebendo por onde passo. Acho que não vou me acostumar tão cedo a essa nova condição de visibilidade social.

A propósito, FELIZ DIA DOS GORDOS, meus comedores de bacon preferidos! <3

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sombras na Parede

Sofro de um mal terrível: ser uma romântica crônica! Mas pior do que ser uma romântica crônica é não poder (querer ou conseguir) ficar presa na caverna sendo iludida pelas sombras que a matrix projeta para mim. Se você já conversou comigo sabe que sou uma apaixonada por tudo e todos. Sou a apaixonada mais realista que eu conheço (risos), se é que isso seja possível.  
Iludo-me tão fácil quanto me desiludo, alguns às vezes me acusam de amar platonicamente e eu rebato tais acusações da melhor forma possível, pois “se fosse amor platônico eu não enxergaria as partes ruins”.
Confesso ser maníaca com listas, mas é uma mania controlável. São pré-requisitos básicos que QUALQUER ser humano busca em outro, até porque se a outra pessoa não tem nada em comum com você fica até difícil de manter uma conversa e tudo vai se resumir a pegação. E, olha que entrando em conflito com Platão, a tal da conversa (sempre acompanhada da observação) é FUNDAMENTAL para mim, preciso admirar a pessoa em algum ponto.
E eu estaria mentindo se negasse a busca pelo príncipe encantado. Eu idealizo muitas coisas, mas meu príncipe não vem de um padrão europeu, possuidor do melhor alazão, do melhor castelo e dos melhores campos. Não são posses físicas, são espirituais, intelectuais e de sociabilidade que, para mim, são resultados de um quadro de estabilidade familiar.

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele.” Platão

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.