segunda-feira, 10 de setembro de 2012

-Saúde, morena!



Todo mundo acha que estou sendo irônica quando digo que sou tímida. Sério, eu sou tímida! Não para falar com as pessoas ou me enturmar em um ambiente novo, mas quando eu recebo elogios eu fico para morrer de tanta vergonha. Agora imaginem alguém que era invisível na sociedade e em um estalar de dedos passou a ter visibilidade, piora em 100% minha timidez.
Todo gordo tem medo de balança e academia, dois monstros de armário que precisamos enfrentar um dia. No meu caso toda vez que vou fazer as revisões médicas e agora todos os dias na academia (mais um projetinho para o verão, como o do ano passado). Eu gosto de me exercitar, só não gosto dos frequentadores da academia e olha, super difícil superar meu bloqueio de “não gostar”, pois não gosto de muitas coisas e mesmo assim me proponho a experimentar antes de arriscar um simples e direto “não gosto”.
Pode parecer bizarro, mas adoro ‘treinar’ (gíria de marombeiro, que eu ando tentando me acostumar) de manhã cedinho, com os idosos e as donas de casa. Indo nesse horário eu evito o meu constrangimento por ter algum individuo inconveniente olhando pra minha bunda e meu abuso por ter alguma criatura com deficiência do hormônio de crescimento que faz questão de passar na minha cara o quanto o metabolismo dela é aprendiz do Flash® e não do Snorlax como o meu. (risos)
Mas o pior de tudo isso é não saber levar uma cantada. Outro dia tava voltando da academia e aqui perto de casa tem um depósito de água e gás onde preciso passar na frente para entrar no prédio e do nada um carregador passa na bicicleta e grita “-QUE SAÚDE, MORENA!”, juro que olhei pra trás pra ver se vinha mais alguém às 7h30 da manhã caminhando meio bamba por causa dos exercícios (risos). E o fato desse entregador de água ter me ‘elogiado’ dessa forma confirmou os olhares incomuns que ando recebendo por onde passo. Acho que não vou me acostumar tão cedo a essa nova condição de visibilidade social.

A propósito, FELIZ DIA DOS GORDOS, meus comedores de bacon preferidos! <3

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sombras na Parede

Sofro de um mal terrível: ser uma romântica crônica! Mas pior do que ser uma romântica crônica é não poder (querer ou conseguir) ficar presa na caverna sendo iludida pelas sombras que a matrix projeta para mim. Se você já conversou comigo sabe que sou uma apaixonada por tudo e todos. Sou a apaixonada mais realista que eu conheço (risos), se é que isso seja possível.  
Iludo-me tão fácil quanto me desiludo, alguns às vezes me acusam de amar platonicamente e eu rebato tais acusações da melhor forma possível, pois “se fosse amor platônico eu não enxergaria as partes ruins”.
Confesso ser maníaca com listas, mas é uma mania controlável. São pré-requisitos básicos que QUALQUER ser humano busca em outro, até porque se a outra pessoa não tem nada em comum com você fica até difícil de manter uma conversa e tudo vai se resumir a pegação. E, olha que entrando em conflito com Platão, a tal da conversa (sempre acompanhada da observação) é FUNDAMENTAL para mim, preciso admirar a pessoa em algum ponto.
E eu estaria mentindo se negasse a busca pelo príncipe encantado. Eu idealizo muitas coisas, mas meu príncipe não vem de um padrão europeu, possuidor do melhor alazão, do melhor castelo e dos melhores campos. Não são posses físicas, são espirituais, intelectuais e de sociabilidade que, para mim, são resultados de um quadro de estabilidade familiar.

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele.” Platão

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cortes de Cabelo



Quando acontece algo que marca minha vida a primeira coisa que faço é cortar o cabelo, loucura? Pode ser, mas prefiro encarar como uma maneira de deixar tudo que se foi no seu devido lugar, o passado. Até quando uma mudança pode bagunçar a vida de alguém? No meu caso, mudanças são bem vindas, se precisou mudar é porque já estava em uma situação crítica.
Bom, preciso pedir desculpas a vocês, meu objetivo era alimentar o blog a cada 7 dias, para que vocês pudessem acompanhar mais de perto minha vida, rotina, dificuldades e benefícios de ser uma ex-gorda. Os mais próximos já devem saber, mas para os que não sabem estou de casa nova e junto com ela veio uma bagunça sem fim, idas ao supermercado, roupas e louças para lavar. Estou uma dedicada dona de casa (risos)!
E essas intensas atividades domésticas andam me ocupando (e cansando) bastante, começo a fazer o reconhecimento do bairro e dos pontos de extrema necessidade (cabeleireiro, academia, farmácia, petshop, costureira, padaria...) e acabei deixando o blog entregue às moscas. Mas acreditem, foi por uma ótima causa! Estou muito feliz aqui, consigo me dedicar melhor a minha dieta, aos planos de exercícios, ao meu sono (o que é muito importante) e tenho a facilidade de estar bem mais próxima da faculdade.
O excesso de novidade andou desregulando a minha rotina de atividades textuais, tanto nas leituras quanto nas composições. Pense em algo frustrante que é saber que você precisa fazer algo que não consegue se concentrar pelo exacerbado acumulo de informações, começo andar pelo Recife com um bloco de notas e uma caneta para não perder a menor faísca que brote desta mente escalafobética. 

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

- “Quem engole corda é cacimba.”


Já dizia minha bisavó. Em todas as vezes que escutei isso, eu relacionava ao engano cometido para com o outro. Nas minhas meditações diárias a caminho do Inglês vi que esse ditado popular se aplica bem ao meu caso. Por anos tentei não mentir para mim mesma, mas ando fazendo muito isso. “Uma mentira, será sempre uma mentira”; um grande amigo meu me falou isso quando eu tentava justificar que “uma mentira contada mais de mil vezes se torna uma verdade”. Juntando todas essas conversas, eu venho ‘desmentir’ o poeta Vinícius de Moraes. Não, meus amados leitores, beleza não é fundamental. Mas alta auto-estima sim.
Minha mãe, (participante assídua das minhas postagens), sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis da minha vida. O tipo de mulher forte, disciplinada, que coloca a família a cima de tudo e todos. Uma flor de mulher capaz de virar bicho se ousarem mexer com alguém querido. Aprendi com ela tudo o que sei, mas a primeira lição que ela me ensinou sobre relacionamentos é que “nós não devemos gostar de quem não nos dar o valor que merecemos”.
Andei me questionando nessa semana, o motivo pelo qual fiz algo que jurei nunca mais fazer. Após dias pensando sobre o assunto cheguei à conclusão que estar ali me causou uma sensação de bem que há tempos não sentia. Estava com as pessoinhas que eu mais amo nesse mundo e que se por alguma ironia do destino, o mesmo, decidisse acabar ali naquele momento eu seria a pessoa mais feliz que já existiu. Talvez pela presença do amor incondicional que rondava minha aura naquele dia.E quando me questionaram o motivo pelo qual eu fiz o que jurei não mais fazer, respondi da maneira mais simples e direta possível “Me sinto bem assim, me sinto bem de um modo que não me sinto em ocasiões idênticas”.
Pouco atrás me deparei com a perfeição (para mim) e como uma reles mortal era normal que ficasse embriagada com a proposta de vida eterna que por um (curto) momento me foi oferecida. Envaidecida pelo possível achado arqueológico me deixei cegar pela perfeição aparente e esqueci-me do fundamento nº 1 que a minha mãe me ensinou.
Nós não podemos mudar o passado, mas aprender com ele para não cometer os mesmos erros no futuro. Existem erros reais e erros ilusórios, que só existem na nossa cabeça, a repetição de um ato que jurei nunca mais fazer era um erro para comigo (físico), mas acreditar em uma ‘perfeição olímpica’ era um erro com os fundamentos de quem eu sou.
Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.

Até a próxima postagem.