segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Sirva-se!

Em um mês de ausência tentei colocar as coisas de volta nos eixos. Não gosto de festas de fim de ano, talvez por não ver de forma tão otimista essa ideia de renovação que as festas de fim de ano trazem. Não escolho roupas novas, não faço planos ou metas só pelo “ano novo”. Sou bagunçada por natureza e organizada por T.O.C.; meus livros, minhas roupas, meus esquemas de estudos e meus planos de vida. Aprendi desde cedo que a melhor maneira de seguir algo é traçando uma reta.
Meu único plano para uma simples virada de ano é não ter planos, não me frustro por não conseguir realizar as metas de ano novo, para não me desmentir diante dos meus amigos vou confessar que o único plano que fiz para 2014 foi sair menos e, diga-se de passagem, ainda não consegui realizar.
Em 2013 levei um solavanco da vida para acordar para a realidade;
Arquivo Pessoal
trabalhar, conflitar relacionamentos e manter uma vida universitária me fizeram ver que para ser um “jedi” você só precisa de força de vontade. 2013 entrou após uma virada de ano sem expectativas alguma, decidi nos 45 minutos do segundo tempo onde passaria e esse “improviso” foi o ponta pé inicial para um ano recheado de surpresas. As magias medievais e renascentistas de janeiro, as velhas imagens do Recife até abril, as cores de uma corrida, a marca na pele de uma amizade de outras vidas, o show de Caetano, a fidelização de uma amizade que sempre esteve presente e não tinha sido percebida, concessões e frustrações, filosofias existencialistas, aventuras do paladar e os sentimentos que explodem num ato que, para muitos é simples e para mim é tão complicado.
O autoconhecimento alimentar; o que comer, como comer, quando comer, se tornou o centro das minhas preocupações. Comer não pelo prazer, mas pelos nutrientes oferecidos por aquilo que você ingere. Ter sabedoria do paladar, que através de um pequeno toque na língua você já consiga identificar se algum ingrediente daquela receita vai te fazer mal. Não é coisa de outro mundo, é apenas o treinamento dos sentidos, é você dominar seu corpo e fazer com que ele trabalhe a seu favor e dessa forma não ser pego de surpresa.
Surpresa, uma das poucas palavras que, dependendo do contexto, pode ser boa ou ruim. Dualidade, opostos, contravenções; e disso tudo é feito o mundo. Certa vez me perguntaram o que eu fazia para fechar ciclos de vida, respondi que cortava os cabelos; se fizessem essa pergunta hoje, diria que escrevo para que as marcas da mudança não fiquem apenas em fotografias, mas que possam ser revividas nostalgicamente, para que eu compreenda que seria necessário passar por tudo que já cheguei para chegar onde estou.

Lembre-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.

domingo, 15 de dezembro de 2013

A simplicidade de um sorriso

Prometi que faria uma postagem esse fim de semana, na verdade tinha em mente publicar um texto que escrevi dia 02 de dezembro, mas parece que me perdi no meio dele e as ideias se chocaram, fazendo com que juntasse palavras aleatórias e que no fundo não faziam muito sentido nem para mim, imaginem para vocês!
Fazem duas horas que estou sentada na frente do computador digitando parágrafos desconexos que parecem mais ‘tweets’ do que uma postagem, a maioria deles reclamando da minha falta de tempo. Incrível como sempre reclamo disso e como reclamo que não tenho o que fazer. Resumindo: sempre reclamando e nem tenho de fato do que reclamar.
Parece que perdi minha essência nessas duas semanas (coincidência ou não a minha ausência nas aulas de filosofia e de alimentação), me perguntaram porque parei de sorrir com os olhos e eu simplesmente não soube responder. A rotina me incomoda e a ausência dói. Talvez as pessoas não consigam compreender, mas estar no meio da multidão nem sempre é estar acompanhado e estar isolado nem sempre é estar sozinho. “[...] but alone is alone, not alive!" John Barrowman
Sabe qual o maior medo do homem? Estar só. Percebi que hábitos de relacionamento se perderam com o tempo, você não diz um “boa tarde” sorridente para o cara que tira as bandejas da mesa do shopping, trabalhar com público me fez melhorar muito como pessoas, me tornou mais humana. Outro dia me peguei no modo automático dizendo um boa tarde serelepe para o carinha que recolhe as bandejas e ele me retribuiu com um sorriso radiante, como se dissesse “alguém sabe da minha existência”.
Foto: Marinez Texeira
Já notaram que existem pessoas que iluminam nossas vidas de graça? Aprendi que sorrisos tornam a vida mais leve. Às vezes tá tudo uma bosta e você recebe aquele sorrisão de um estranho e parece que seu dia melhorar só por causa desse pequenino gesto.
Dia 13 de dezembro fiz 30 meses de operada, não tinha me dado conta de como o tempo passou rápido. Até hoje me perguntam qual a principal mudança que aconteceu na minha vida depois da redução de estômago. Sempre falei do psicológico, que mudei meu jeito de ver o mundo. Na verdade acho que aprendi a sorrir. Aprendi a brincar de Pollyanna e de fazer do meu pessimismo de todo dia piada e começar a enxergar o lado positivo das coisas. Relaxei e deixei de ser tensa e me cobrar tanto, evoluções que só quem me conheceu antes consegue perceber. Me aproximei de pessoas que nunca imaginei me aproximar, de pessoas completamente diferente de mim e que hoje deixam saudade quando somem.
Me ensinaram a sorrir nesses dois anos, me ensinaram a gargalhar de coisas bobas. Me ensinaram que se as coisas estão ruins, podem piorar. Mas também me ensinaram que eu nunca vou estar sozinha. Aquela gargalhada que faz falta aos ouvidos, uma piadinha maliciosa que quebra tabus e uma pentelhagem incansável. Talvez vocês não compreendam o que eu estou querendo ressaltar aqui, mas é que por tanto tempo busquei “pessoas iguais” a mim que me vi apegada exatamente ao meu oposto. E viva as contradições, que um mundo cheio de Gabrielas seria tão entediante que ninguém se aguentaria.
Peço desculpas, sei que esse não é o melhor dos meus textos, ando sem motivação para escrever (para muitas coisas). Mais uma despedida (daquelas que eu detesto) quebrou outro pedacinho da minha alma e eu tô tentando arrumar a bagunça que essa péssima surpresa fez.

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.

domingo, 1 de dezembro de 2013

O livro amarelo

Está tudo escrito, sempre esteve. 
Começar um texto afirmando que as coisas não acontecem por acaso talvez seja demonstrar (mais) um pouco do meu lado crente nas energias que circundam o ‘eu’. Incrível mesmo é quando nos colocamos em um estado de inércia para observar o que acontece ao redor, já fizeram isso? É um exercício que recomendo a todos.


Os questionamentos que brotam incessantemente na minha cabeça e que, como se não já fossem muitos, os habitantes das adjacências fazem questão de me (re)questionar sobre os mesmos assuntos.
Comecemos, pois, do começo: o título deste texto. O livro amarelo me foi presenteado por um, a princípio, estranho que hoje chamo de colega filosófico. Diferente dos outros ócios criativos, nesta tarde estou acompanhada de uma seleção de músicas que o Youtube me fez, de um pote de doce de chocolate com bananas em rodelas, deixei o amargo e eufórico sabor do café para um momento posterior, pois nesse preciso do doce e calmante chocolate que amenizará minhas ansiedades em relação à reta final de um curso acadêmico.

Caravaggio - Auto retrato como Dionísio
Parece que, de fato, aquela mente efervescente voltou à tona e com ela todas as minhas lucubriações, tantas que sinto dificuldade em organizá-las em palavras para que exercite a extração e depósito na penseira. O ritmo intenso e cansativo do dia-a-dia me faz sacrificar partes de mim, sacrifício que para a minha “mestra” e orientadora de monografia, Professora Drª Rozélia Bezerra, é sinal de devoção, de amor.  “Amor”? Vocês devem estar se perguntando se isso tem algo a ver com recentes relacionamentos fracassados, e eu respondo que não. Não é o amor de Eros, não é um relacionamento afetivo-carnal, é um amor que transcende ao físico, que não existe explicação.

Amor à quê? Amor ao meu trabalho, amor à vida, amor à certeza que de alguma forma minhas falas vão mudar a realidade daquela adolescente que foi ao museu achando que só receberia uma aula de artes, como se artes fosse algo banal e inútil. Amor ao olhar esperançoso e ansioso por conhecimento como o meu era, como meu é até hoje.

– Fui arrebatado!” expressão dita em uma conversa casual por um colega de turma que definiu o que senti quando tive a oportunidade de ouvir sobre a “força expressiva na mão que pinta Caravaggio” e que para mim tudo mudou/começou ali, naquele auditório do CEGOE na UFRPE. Parece que depois do arrebatamento pela fala do Professor Dr. Sandro Sayão, arrebatamentos sucessivos me apresentaram uma calmaria convulsiva de que tudo daria certo e que todas as dúvidas impostas à minha capacidade de dar prosseguimento a uma pesquisa que não é comum no Recife receberiam a melhor resposta de todas: o sucesso.

Tá, mas o que pesquisas acadêmicas, mediações em museus, aulas arrebatadoras e um livro amarelo tem em comum? Simples, você é quem domina o rumo da sua vida. Decida, foque, exercite e você terá os lucros. Talvez essa tenha sido a mais insana e mais consciente postagem que eu tenha feito. Espero que vocês consigam compreender, esse foi o final de semana mais calmo dos últimos 6 meses, mas o mais agitado, por um momento a inquietação foi tamanha que não me reconhecia no espelho.


Lembre-se um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Pandora - Πανδώρα

Sabe qual é a melhor maneira de escrever? Estar em um ócio de domingo no fim da tarde, sozinha, acompanhada de uma caneca de café quente, forte e sem açúcar. Uma tarde de verão comum no Recife, onde uma simples brisa faz toda a diferença. Ultimamente não consigo fazer esse ritual de produção, esse mantra para organizar os pensamentos que brotam nas aulas de Filosofia da Arte e de História da Alimentação, nas conversas com os turistas que visitam o museu que trabalho ou pelas “arruanças” por Olinda e Recife. Ao contrário do que preciso para escrever, ando muito ocupada em estar entranhada nos ciclos sociais que faço parte e que cobram (e como cobram) atenção redobrada...

Sair cedo e voltar tarde nos dias úteis faz com que os fins de semana sejam dias ansiosamente esperados, intensamente aproveitados e não tão úteis como o resto da semana. Ando tentando seguir meus cronogramas e conciliar todos os ciclos em que normalmente um ser humano tem, o que acaba me deixando sem tempo para aquelas conversas que a gente tem dentro da própria cabeça. Sinto falta desses momentos de ócio, principalmente nos momentos em que me vejo negligenciando alguns projetos antigos e dando prioridade aos novos. Há quem diga que isso é defeito de fabricação do geminiano (risos).

Pensei em começar esse texto tirando um pouco o foco de mim e direcionar para algo sobre filosofias existencialistas e realistas em que temos que lidar todos os dias, porém nada mais filosófico do que você trazer sua própria realidade para um texto. A penseira do Dumbledore que a J.K. Rowling cria para que ele possa aliviar o peso dos pensamentos na cabeça é, para mim, a melhor descrição do que é o ato de escrever.

John William Waterhouse - Oil on Canvas
Pandora - J. W. Waterhouse (1896)
Recentemente, numa dessas arruanças, tive a oportunidade de conversar com um argentino pernóstico que ao descobrir que estudo história começou loucamente a me fazer questionamentos sobre mitologia grega. Me perguntou se eu conhecia Prometheus e se eu pudesse escolher algum dos personagens gregos para ser qual deles eu seria, entrei no jogo de provocações pedantes deste rapaz e respondi rapidamente que gostaria de ser Pandora. Ele intrigado pelo motivo que me levou a pensar tão rápido na resposta me
perguntou “Por que escolheu um personagem que é associado ao caos?” (caos no sentido de provocar desordem).

Li um texto sobre a obra de Francisco Brennand escrito por Roberta Aymar que dizia o seguinte; "Leituras enviesadas do mito, ao longo da história, trataram de metaforizar Pandora negativa e capciosamente como símbolo e corolário da incontrolável e inconsequente imprudência feminina. Ao estar diante da obra do artista, senti-me como uma Pandora recriada, reeditada anacronicamente. Todavia, não mais diante de uma caixa proibida, mas dentro da caixa dos espelhos da humanidade.”. E vi traduzido em paixão tudo aquilo que aprendi nas aulas da universidade, coisas que todo (aspirante a) historiador sabe – não existe verdade única.


Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro!

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um Parto

Nove meses se passaram desde a última vez que escrevi para esse blog, talvez numa tentativa desnecessária de deixar o passado onde ele deve sempre ficar. Durante muito tempo não entendi o que a História queria realmente me ensinar, agradeço de coração à todos aqueles que faziam pouco das minhas linhas de pesquisa, pois se não fosse por eles eu não sentiria cada vez mais vontade de continuar. No fundo tudo na vida da gente é assim; precisamos sempre provar algo para alguém para descobrir que não precisamos provar nada pra ninguém (vide Quase Sem Querer – Legião Urbana).

Nunca pensei que em nove meses pudesse acontecer tantas coisas na minha vida e tantas coisas que influenciariam diretamente no meu crescimento. Muitos primeiros e muitos não últimos. Mudanças de ponto de vista e de comportamento, mas afinal quem é unicamente algo é tão sem graça, né?

Não sei se por estar trabalhando em um local que inspira a filosofia intrínseca do ser humano passei a refletir mais sobre opostos. Talvez por ser geminiana e, de vez em quando, passear pelas crenças do zodíaco.
Há poucos dias afirmei em uma conversa que me senti estagnada nesses nove meses de ‘improdutividade’, que a mente que era tão fértil parecia ter secado e que desse solo jamais sairia algo que não fosse metodicamente acadêmico e engessadamente histórico. E acreditem em mim, a história pode ser engessada. Talvez por isso que no colégio ela não possua tantos seguidores quanto outras disciplinas, acho que agora eu consiga me enxergar muito mais como uma educadora do que como uma professora. Pequenos detalhes que geram uma infinidade de diferenças, então nunca diga que você vai ser GUIADO por um monitor do museu, causa a revolta da maioria e rebaixa a classe dos MEDIADORES ou ARTE-EDUCADORES que trabalham todos os dias, sorridentes e serelepes nos museus desse mundão de meu deus!

Foto: Marinez Texeira

Desde muito cedo aprendi que os livros me proporcionariam aventuras incríveis, talvez por isso tenha passado tantos anos comprando essas preciosidades que embriagam com o odor que exalam e nos levam para mundos paralelos, bons ou ruins você é quem determina o fluxo do rio, se for cansativo é só trocar de livro... Precisei me auto avaliar para perceber que nem tudo que a vida proporciona está restrito aos livros, que existe todo um mundo fantástico para ser descoberto fora das páginas e que nós precisamos nos permitir viver, mesmo que seja necessário pisar em solo desconhecido, sair da nossa segurança... Pular de bump jump e confiar que a corda não vai partir e que não vamos virar piche!

Eu era chata, nossa como eu era chata! Não sei como meus amigos de infância me aguentavam e me aguentam até hoje, muito da minha chatice se foi, mas muito dela permanece. Se eu a perdesse completamente não seria eu; o ser humano precisa assumir seus defeitos para que possa usufruir da evolução que conquistou. E é tão bom olhar para trás e ver que mudamos e que tais mudanças nos favoreceram no presente, não é? Carlo Levi diz que “o futuro tem um coração antigo” e por aqui deixo vocês com um gostinho de quero mais.

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro!

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Dualidades


Fechando janeiro e com ele toda (ou parte) da minha correria. O engraçado é que quando mais me sinto viva mais me sinto esgotada, é um misto de esgotamento físico/mental e uma vontade louca de continuar ativa. Talvez eu não seja a única a encarar a vida desse jeito, mas (para mim) é tudo tão breve que viver intensamente vira uma necessidade gritante do meu corpo.
E por não acreditar em coincidências, eu consiga afirmar tão fortemente que nada na vida da gente acontece por acaso. Não sou institucionalmente religiosa, sou crente (no sentido correto, pois crente é aquele que crê em algo/alguém) e acho que isso explica muita coisa do meu “viver intensamente”.
Super hilário é quando eu escuto críticas que julgam meu momento ativo de irresponsabilidade; o que é bem interessante, já que essas mesmas pessoas que tanto me criticam agora, já criticavam antes a minha inatividade. Bom, paciência, não posso agradar a todos; ou melhor, não consigo agradar esses em especial. E como diria um amigo meu “não vou me jogar no Capibaribe por isso”.
A semana de 20 a 27 foi a semana mais louca e mais sã que eu já tive, era um misto de racionalidade e emotividade que só quem estava junto, vivendo comigo, pode explicar. Nessa dualidade de pensamentos a vida me mostrou mais uma vez que se a gente não souber aproveitar e não souber dizer para os outros o quanto eles são especiais para gente, podemos levar uma 'tabocada' na cabeça e acordar para realidade: que nós nos importamos com coisas rasas, que brigamos por motivos medíocres, que deixamos de rir por um simples acordar com o pé errado e assim deixamos de ver a beleza em um dia quente e ensolarado, beirando temperaturas infernais(risos), em Recife.
Em menos de 30 dias o mundo ao meu redor perdeu duas pessoas muito amadas; primeiro foi a avó de um amigo/irmão que me acompanhou a vida inteira, não era uma simples avó. Era a avó feliz, que sorria gratuitamente para qualquer um, que irradiava amor e paixão pela vida. Era, principalmente, uma mãe que educou bem os filhos, que afagou os netos e que adotou noras e genros.
Nessa semana uma tragédia chocou o Brasil todo, os jovens queimados em Santa Maria, por pura ambição e ganância. Talvez pessoas que não são de Recife, não tenham visto a reportagem que fizeram (eu não tenho noção do tamanho de alcance desse blog, só jogo meus pensamentos nessa penseira para aliviar os excessos), mas minha prima, meu pedacinho de vida, meu docinho está de férias com o namorado no Rio Grande do Sul e ela estava nessa boate; e por um estalo inconsciente implorou para o meu cunhado para saírem de lá. Graças aos Céus eles estão bem.
Ontem, numa carregada quarta-feira, recebi uma notícia capaz de me deixar desorientada. A segunda pessoa do mundo ao meu redor se foi de uma maneira brutal; o irmão de um grande amigo, amigo daqueles que você gosta de graça, que por ver uma abelha colhendo o pólen abre o sorriso mais inocente e singelo que pode existir, uma pessoa verdadeiramente apaixonante; que você olha pra ele e diz “nada nem ninguém pode fazer uma criaturinha dessa sofrer”, mas ele perdeu o melhor amigo, o melhor filho, o irmão mais novo. E vê-lo sem chão me fez mais uma vez pensar sobre como a vida é passageira, como tudo é tão idêntico a um rio e como nós somos completamente incoerentes por viver reclamando da vida e não parar pra vivê-la de verdade.

Lembrem-se um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

21 Ciclos

Gosto do número 7 e acho os seus múltiplos (no caso minha idade, 21 anos) dotados de certas características que me chamam atenção, porém não me perguntem o motivo, não sei explicar. Ainda seguindo a linha de retrospectivas e utilizando as palavras de uma pessoa muito especial para mim, o “encerramento de mais um ciclo” foi algo fantástico. Se eu andava reclamando que reduzi meus 90 dias de férias (sambando na cara da sociedade universitária) para 15 dias, posso tomar tento e parar com isso, já que esses 15 dias se tornaram produtivos e mais que agradáveis. Eu poderia arriscar até um alinhamento cosmológico ao meu favor, mas só arriscar. (risos)

Adotei o ‘Carpe Diem’ como filosofia de vida há algum tempo e desde que comecei a não me prender as construções sociais erguidas sob os pilares de ideais religiosos (e doa a quem tiver lendo), posso dizer que estou vivendo de verdade. Alguns (e até eu mesma) andei utilizando o termo “adolescência tardia” como modo de rotular o momento, mas nem considero como um surto de irresponsabilidade  considero como um grito de humanidade (You’re gonna hear my voice when I shout it out loud!) e um grito que tá fazendo barulho aonde e em quem ele alcança.
Olha, não vou mentir dizendo que a sensação não é boa. A sensação é MARAVILHOSA, e mesmo não sabendo administrar bem todas essas mudanças (de espaço, de espírito, de conceitos e de vida) a gente sempre dá um jeitinho brasileiro e faz umas piruetas improvisadas para finalizar coisas antigas que por motivos bestas ficaram em aberto ou por brincadeira do destino acabamos abrindo outras que nós nunca imaginamos ser possível. Mas a vida é esse eterno movimento marítimo de ‘vai-e-vem’ e a gente? A gente só precisa ter fé que o mar vai virar um rio e que tudo vai passar.
E que neste novo ciclo que iniciamos seja repleto de incertezas, pois é nelas que buscamos insaciáveis por algo que não tem explicação, mas que é capaz de nos mover, é capaz de nos fazer sentir a vida pulsando.
Lembrem-se um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Ataques e Defesas



O mais estranho de passar 60 dias sem escrever, sem alimentar meu vício expositivo de pensamentos  lucubriantes,  é pensar em excesso neles. Várias coisas aconteceram nesses dois meses,  outro corte de cabelo está incluso nesse meio. Me peguei numa crise criativa onde só funciono nas madrugadas de insônia e como precisava dormir para cumprir compromissos que se tornaram objetivos, o blog acabou ficando entregue às moscas.
Nesse período pós greve das Instituições Federais de Ensino Superior me vejo sem meu tão querido e amado período de ócio, logo minha estadia em frente do laptop vai se tornar um pouco rara. Juro que tento criar uma rotina de escrever todas as semanas, mas só consigo tempo livre para escrever a cada 15 dias. E talvez essa seja a maior das minhas frustrações.
O excesso de expectativas sempre foi meu ponto fraco, sempre faço exercícios de auto-controle e conhecimento para não alimentar tanto esse tipo de impulsividade, porque para mim o pior sentimento que existe é o de falhar em algo que desejei muito. É uma busca constante de racionalidade dentro de um ser altamente emocional, Eu.
Nunca consegui fazer uma retrospectiva dos acontecimentos do meu ano sem olhar chorosa para eles, não sou boa com isso. Mas esse ano posso dizer as mudanças na minha vida foram tão loucas, impulsivas e não planejadas que me fazem olhar pra trás, gargalhar e pensar que definitivamente minha vida foi baseada num Mangá. Babado, correria e confusão são palavras que caracterizam bem minha retrospectiva para 2012.
Daí vocês devem tá achando que eu sou excêntrica por estar pensando em retrospectivas já na primeira quinzena de dezembro, mas apesar de (posarem de) céticos os historiadores não são tão descrentes assim e como eu faço parte do time que tá pouco ligando se o mundo vai acabar dia 21/12/12 preferi me antecipar/prevenir e deixar minhas considerações finais para esse ano excêntrico. (risos)
Não estar ligando pro (suposto) fim do mundo é a ponta do iceberg pra quem não tá ligando pra muita coisa. Uma fase de egoísmo saudável para quem sempre se importou muito com a opinião de terceiros e sempre colocava a sociedade inteira na frente das suas necessidades/desejos. O egoísmo é uma característica humana de defesa altamente necessária, mas quando utilizado de modo errado se torna uma falha de caráter e algo capaz de destruir toda a construção social ao redor do individuo.
Não pensem que por estar serelepe e saltitante nas terras do egoísmo eu concorde que ele seja justificativa para atos errôneos de plena sobriedade e consciência  Meu egoísmo é um crescimento pessoal de me doar menos e me preservar mais, mas tem muita gente que manipula/brinca com os sentimentos alheios e acha bonito ser assim.
Estava com saudades disso aqui, lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

- (auto)Sabotagem


Há pouco tempo participei de um evento de programação para garotas (Rails Girls) onde os coachs em sua maioria eram ‘garotos’. No primeiro dia do evento foram feitas as instalações dos programas que seriam utilizados e o motivo pelo qual seria um evento destinado a garotas (fotos aqui).
Como eu sempre falo, minhas mãe é a culpada (ou não) por esse excesso de características na minha personalidade e vocês devem estar se perguntando o que eu, uma aluna de História, estaria fazendo em um evento de T.I.. Ela trabalha em uma empresa de tecnologia, ganhei meu primeiro desktop aos 7 anos e aos 11 anos achava divertido brincar no comando e invadir o pc alheio, até hoje não sei o motivo pelo qual decidi prestar meu primeiro vestibular para medicina, o segundo para jornalismo e como pegadinha do destino estou cursando História.
Inserindo o termo ‘tecnopata’ (um fofo e amante de tecnologia, risos) na minha personalidade, que justifica bem a razão de aprender programar ruby, parei para pensar sobre técnicas de condicionamento da mente animal. A psicologia é a boa e velha ferramente que usamos para programar o mundo a nossa volta, para tudo enviamos um estímulo e recebemos uma resposta (behaviorismo). Facilitando a vida de vocês, é algo similar a 3ª lei de Newton.
Acontecimentos (não tão) recentes de “entra em greve” e “sai da greve” desorganizaram meus planos de estudos/postagem/vida e nesse período de 4 meses eu tive a oportunidade de aprender um pouco sobre Filosofia da Arte, em que meu principal interesse é na ideia de corpo que se tem dentro de uma sociedade.
Presa entre realismos, relativismos e ativismos caminho na direção em que mente e corpo podem e devem trabalhar em conjunto. Deixe-me explicar melhor; desconstruindo a ideia de que uma pessoa só pode ser inteligente se ela possuir um corpo fora dos padrões de beleza e se não usar roupas (dita) moda, nós quebramos um conceito de condicionamento social e passamos a admitir que o corpo pode possuir características padrões mesmo se a pessoa for (considerada) intelectual.
Sendo assim, é normal que eu expresse meu desejo de ter pernas de “panicat” (sendo modesta, haha), o problema é só programar meu cérebro para que ele entenda que estou pagando uma mensalidade na academia para ir apenas nas segundas.
Como não é fácil uma (auto)programação, sempre vai existir espaço para a (auto)sabotagem. É exatamente aqui que você (no caso, eu) precisa jogar aquele spray de água (condicionamento animal) ou choquinho elétrico em você mesmo. É colocar a mão na consciência e pensar nas vantagens que você terá ao parar de se sabotar, no meu caso vou deixar de ter pernas de gelatina para ter pernas de panicat.

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.


segunda-feira, 10 de setembro de 2012

-Saúde, morena!



Todo mundo acha que estou sendo irônica quando digo que sou tímida. Sério, eu sou tímida! Não para falar com as pessoas ou me enturmar em um ambiente novo, mas quando eu recebo elogios eu fico para morrer de tanta vergonha. Agora imaginem alguém que era invisível na sociedade e em um estalar de dedos passou a ter visibilidade, piora em 100% minha timidez.
Todo gordo tem medo de balança e academia, dois monstros de armário que precisamos enfrentar um dia. No meu caso toda vez que vou fazer as revisões médicas e agora todos os dias na academia (mais um projetinho para o verão, como o do ano passado). Eu gosto de me exercitar, só não gosto dos frequentadores da academia e olha, super difícil superar meu bloqueio de “não gostar”, pois não gosto de muitas coisas e mesmo assim me proponho a experimentar antes de arriscar um simples e direto “não gosto”.
Pode parecer bizarro, mas adoro ‘treinar’ (gíria de marombeiro, que eu ando tentando me acostumar) de manhã cedinho, com os idosos e as donas de casa. Indo nesse horário eu evito o meu constrangimento por ter algum individuo inconveniente olhando pra minha bunda e meu abuso por ter alguma criatura com deficiência do hormônio de crescimento que faz questão de passar na minha cara o quanto o metabolismo dela é aprendiz do Flash® e não do Snorlax como o meu. (risos)
Mas o pior de tudo isso é não saber levar uma cantada. Outro dia tava voltando da academia e aqui perto de casa tem um depósito de água e gás onde preciso passar na frente para entrar no prédio e do nada um carregador passa na bicicleta e grita “-QUE SAÚDE, MORENA!”, juro que olhei pra trás pra ver se vinha mais alguém às 7h30 da manhã caminhando meio bamba por causa dos exercícios (risos). E o fato desse entregador de água ter me ‘elogiado’ dessa forma confirmou os olhares incomuns que ando recebendo por onde passo. Acho que não vou me acostumar tão cedo a essa nova condição de visibilidade social.

A propósito, FELIZ DIA DOS GORDOS, meus comedores de bacon preferidos! <3

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

domingo, 2 de setembro de 2012

Sombras na Parede

Sofro de um mal terrível: ser uma romântica crônica! Mas pior do que ser uma romântica crônica é não poder (querer ou conseguir) ficar presa na caverna sendo iludida pelas sombras que a matrix projeta para mim. Se você já conversou comigo sabe que sou uma apaixonada por tudo e todos. Sou a apaixonada mais realista que eu conheço (risos), se é que isso seja possível.  
Iludo-me tão fácil quanto me desiludo, alguns às vezes me acusam de amar platonicamente e eu rebato tais acusações da melhor forma possível, pois “se fosse amor platônico eu não enxergaria as partes ruins”.
Confesso ser maníaca com listas, mas é uma mania controlável. São pré-requisitos básicos que QUALQUER ser humano busca em outro, até porque se a outra pessoa não tem nada em comum com você fica até difícil de manter uma conversa e tudo vai se resumir a pegação. E, olha que entrando em conflito com Platão, a tal da conversa (sempre acompanhada da observação) é FUNDAMENTAL para mim, preciso admirar a pessoa em algum ponto.
E eu estaria mentindo se negasse a busca pelo príncipe encantado. Eu idealizo muitas coisas, mas meu príncipe não vem de um padrão europeu, possuidor do melhor alazão, do melhor castelo e dos melhores campos. Não são posses físicas, são espirituais, intelectuais e de sociabilidade que, para mim, são resultados de um quadro de estabilidade familiar.

“Não há ninguém, mesmo sem cultura, que não se torne poeta quando o Amor toma conta dele.” Platão

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Cortes de Cabelo



Quando acontece algo que marca minha vida a primeira coisa que faço é cortar o cabelo, loucura? Pode ser, mas prefiro encarar como uma maneira de deixar tudo que se foi no seu devido lugar, o passado. Até quando uma mudança pode bagunçar a vida de alguém? No meu caso, mudanças são bem vindas, se precisou mudar é porque já estava em uma situação crítica.
Bom, preciso pedir desculpas a vocês, meu objetivo era alimentar o blog a cada 7 dias, para que vocês pudessem acompanhar mais de perto minha vida, rotina, dificuldades e benefícios de ser uma ex-gorda. Os mais próximos já devem saber, mas para os que não sabem estou de casa nova e junto com ela veio uma bagunça sem fim, idas ao supermercado, roupas e louças para lavar. Estou uma dedicada dona de casa (risos)!
E essas intensas atividades domésticas andam me ocupando (e cansando) bastante, começo a fazer o reconhecimento do bairro e dos pontos de extrema necessidade (cabeleireiro, academia, farmácia, petshop, costureira, padaria...) e acabei deixando o blog entregue às moscas. Mas acreditem, foi por uma ótima causa! Estou muito feliz aqui, consigo me dedicar melhor a minha dieta, aos planos de exercícios, ao meu sono (o que é muito importante) e tenho a facilidade de estar bem mais próxima da faculdade.
O excesso de novidade andou desregulando a minha rotina de atividades textuais, tanto nas leituras quanto nas composições. Pense em algo frustrante que é saber que você precisa fazer algo que não consegue se concentrar pelo exacerbado acumulo de informações, começo andar pelo Recife com um bloco de notas e uma caneta para não perder a menor faísca que brote desta mente escalafobética. 

Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

- “Quem engole corda é cacimba.”


Já dizia minha bisavó. Em todas as vezes que escutei isso, eu relacionava ao engano cometido para com o outro. Nas minhas meditações diárias a caminho do Inglês vi que esse ditado popular se aplica bem ao meu caso. Por anos tentei não mentir para mim mesma, mas ando fazendo muito isso. “Uma mentira, será sempre uma mentira”; um grande amigo meu me falou isso quando eu tentava justificar que “uma mentira contada mais de mil vezes se torna uma verdade”. Juntando todas essas conversas, eu venho ‘desmentir’ o poeta Vinícius de Moraes. Não, meus amados leitores, beleza não é fundamental. Mas alta auto-estima sim.
Minha mãe, (participante assídua das minhas postagens), sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis da minha vida. O tipo de mulher forte, disciplinada, que coloca a família a cima de tudo e todos. Uma flor de mulher capaz de virar bicho se ousarem mexer com alguém querido. Aprendi com ela tudo o que sei, mas a primeira lição que ela me ensinou sobre relacionamentos é que “nós não devemos gostar de quem não nos dar o valor que merecemos”.
Andei me questionando nessa semana, o motivo pelo qual fiz algo que jurei nunca mais fazer. Após dias pensando sobre o assunto cheguei à conclusão que estar ali me causou uma sensação de bem que há tempos não sentia. Estava com as pessoinhas que eu mais amo nesse mundo e que se por alguma ironia do destino, o mesmo, decidisse acabar ali naquele momento eu seria a pessoa mais feliz que já existiu. Talvez pela presença do amor incondicional que rondava minha aura naquele dia.E quando me questionaram o motivo pelo qual eu fiz o que jurei não mais fazer, respondi da maneira mais simples e direta possível “Me sinto bem assim, me sinto bem de um modo que não me sinto em ocasiões idênticas”.
Pouco atrás me deparei com a perfeição (para mim) e como uma reles mortal era normal que ficasse embriagada com a proposta de vida eterna que por um (curto) momento me foi oferecida. Envaidecida pelo possível achado arqueológico me deixei cegar pela perfeição aparente e esqueci-me do fundamento nº 1 que a minha mãe me ensinou.
Nós não podemos mudar o passado, mas aprender com ele para não cometer os mesmos erros no futuro. Existem erros reais e erros ilusórios, que só existem na nossa cabeça, a repetição de um ato que jurei nunca mais fazer era um erro para comigo (físico), mas acreditar em uma ‘perfeição olímpica’ era um erro com os fundamentos de quem eu sou.
Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.

Até a próxima postagem.

domingo, 22 de julho de 2012

A perna da calça



Ser sempre questionada. Parece piada, mas é a realidade de qualquer ser humano. Contando fábulas, minha mãe me explicou que é impossível agradar à todos que nos cercam. Aprendi, então, a julgar o certo e o errado, a tirar minhas conclusões e ser responsável por elas. Pela vida, aprendi a diferença de ‘aUtossuficiência’ e ‘aLtossuficiência’, vi que é IMPOSSÍVEL fazer qualquer coisa SOZINHO. Qualquer ser vivente, seja ele animal ou vegetal, necessita de outro para sobreviver.
Durante muito tempo encarei meu problema como sendo meu e nunca pensei que o fato de ter problemas de saúde por conta do peso desestruturava minha família, deixava meus amigos receosos e os estranhos olhavam para mim com pena. Sinal de que nossas atitudes atingem as pessoas de um modo diferente e convergente, porque apesar de cada um apresentar uma reação de certo modo me tornei a preocupação de muitos.
Quando eu decidi me operar pensei, em primeiro lugar, na minha saúde. Depois vieram pensamentos sobre autoestima, disposição, felicidade. Não busquei a cirurgia como quem busca um milagre, curti cada momento do pré e pós-operatório. Claro que “no pain, no gain” (sem dor, sem ganho), no meu caso perda de peso.
Já ouvi muito de algumas amigas/irmãs da minha mãe “Diga que eliminou peso, que é para nunca mais achar”. E talvez eu deixe brecha para tal pensamento quando eu digo que não quero voltar a engordar, mas as pessoas não entendem que eu não achava ruim quando pesava 108,7 kg e usava tamanho 52. Por estar gorda durante 17 dos 21 anos que tenho aprendi que a vida é muito mais metafísica (além do físico) do que parece. Para tudo existe mais de um lado, não pensem que perder 40kg e usar tamanho 40 tem só bônus.


Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.
Até a próxima postagem.

sábado, 14 de julho de 2012

-Postura, mocinha!

Felizes daqueles que viveram a tal “Idade das Trevas” e não passaram pelo processo civilizador no período do Renascimento Cultural! Sim, felizes. O processo civilizador incutiu na cabeça das pessoas que determinados comportamentos humanos não eram apropriados para serem divididos em uma ‘sociedade’. Deveriam permanecer restritos a um meio privado, familiar, oculto para a visão de outrem. Daqui ‘sairiam’ os futuros Lords e Ladies ‘civilizados’.
Baseado nos contos, sagas e lendas foram trazidos para os nossos dias os personagens ditos ‘perfeitos’ da Disney. Toda menina sonha em ser princesa e para isso você precisa estar presa à cor rosa, ser magra e ter cabelos lisos (para não dizer nascida em família europeia). Fora a síndrome de Barbie que você tem que ter mil roupas, mil sapatos, mil bolsas para se adequar à moda.
Desde criança eu me encontrava na margem da ditadura social que é a moda. É bem difícil arrumar roupas de criança para uma menina de 11 anos que pese 83 Kg e isso me incomodou por muito tempo. No fim da minha adolescência e início da idade adulta passei a ignorar determinados atos de discriminação que sofri por ser gorda, é um bullying silencioso onde olhares dizem exatamente o que passa na cabeça de quem nos olha.
Sexta-feira (13) fez 1 ano que eu passei por um procedimento intitulado de ‘Gastroplastia’ ou, popularmente conhecido como, ‘Redução de Estômago’. Cheguei a pesar 108,7kg e atingir um IMC de 39,55 (obesa). Durante 3 anos alimentei um blog de temática idêntica a este (Lendas de uma Gordinha) e neste ano que, para mim,  foi de adaptação a minha nova condição de ex-gorda pensei bastante no início de um outro projeto.
O ‘Lendas de uma ex-Gordinha’ vem para dar voz ao observador (eu, risos) condicionado durante 20 anos a um ‘corpo’ que velozmente começa a encenar um papel que antes só fazia parte de um imaginário platônico.




Até a próxima postagem.
Lendas de uma ex-Gordinha, porque um ex-gordo vê o mundo diferente de um magro.