Nove meses se passaram desde a última vez que escrevi para
esse blog, talvez numa tentativa desnecessária de deixar o passado onde ele
deve sempre ficar. Durante muito tempo não entendi o que a História queria
realmente me ensinar, agradeço de coração à todos aqueles que faziam pouco das
minhas linhas de pesquisa, pois se não fosse por eles eu não sentiria cada vez
mais vontade de continuar. No fundo tudo na vida da gente é assim; precisamos
sempre provar algo para alguém para descobrir que não precisamos provar nada
pra ninguém (vide Quase Sem Querer – Legião Urbana).
Nunca pensei que em nove meses pudesse acontecer tantas
coisas na minha vida e tantas coisas que influenciariam diretamente no meu
crescimento. Muitos primeiros e muitos não últimos. Mudanças de ponto de vista
e de comportamento, mas afinal quem é unicamente algo é tão sem graça, né?
Não sei se por estar trabalhando em um local que inspira a
filosofia intrínseca do ser humano passei a refletir mais sobre opostos. Talvez
por ser geminiana e, de vez em quando, passear pelas crenças do zodíaco.
Há poucos dias afirmei em uma conversa que me senti estagnada
nesses nove meses de ‘improdutividade’, que a mente que era tão fértil parecia
ter secado e que desse solo jamais sairia algo que não fosse metodicamente acadêmico
e engessadamente histórico. E acreditem em mim, a história pode ser engessada.
Talvez por isso que no colégio ela não possua tantos seguidores quanto outras
disciplinas, acho que agora eu consiga me enxergar muito mais como uma
educadora do que como uma professora. Pequenos detalhes que geram uma
infinidade de diferenças, então nunca diga que você vai ser GUIADO por um
monitor do museu, causa a revolta da maioria e rebaixa a classe dos MEDIADORES
ou ARTE-EDUCADORES que trabalham todos os dias, sorridentes e serelepes nos
museus desse mundão de meu deus!
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Foto: Marinez Texeira |
Desde muito cedo aprendi que os livros me proporcionariam
aventuras incríveis, talvez por isso tenha passado tantos anos comprando essas
preciosidades que embriagam com o odor que exalam e nos levam para mundos
paralelos, bons ou ruins você é quem determina o fluxo do rio, se for cansativo
é só trocar de livro... Precisei me auto avaliar para perceber que nem tudo que
a vida proporciona está restrito aos livros, que existe todo um mundo
fantástico para ser descoberto fora das páginas e que nós precisamos nos
permitir viver, mesmo que seja necessário pisar em solo desconhecido, sair da
nossa segurança... Pular de bump jump e confiar que a corda não vai partir e
que não vamos virar piche!
Eu era chata, nossa como eu era chata! Não sei como meus
amigos de infância me aguentavam e me aguentam até hoje, muito da minha chatice
se foi, mas muito dela permanece. Se eu a perdesse completamente não seria eu;
o ser humano precisa assumir seus defeitos para que possa usufruir da evolução
que conquistou. E é tão bom olhar para trás e ver que mudamos e que tais
mudanças nos favoreceram no presente, não é? Carlo Levi diz que “o futuro tem
um coração antigo” e por aqui deixo vocês com um gostinho de quero mais.
Lembrem-se: um ex-gordo vê o mundo diferente de
um magro!